AMANTES

 
“Ficar sem você não dá
Perdi o rumo solto no mundo
Ficar sem você
Meu coração mudou de lugar
Ficar sem você não dá
Pra domar você vai mais que oito segundos
Não posso esperar
Ficar sem você aqui não dá...”
Aqui estou... talvez... pela última vez... Alguém me visse? Não! Ninguém.
Do guarda-roupa envelhecido pelo tempo apossei de um vestido rosa claro com manchas marrons nunca mais usado. E no enlace das memórias o vesti, em companhia da sonoridade de versos. Soltei os poucos cabelos e dei cor aos lábios.
De uma sacola amarelada retirei um antigo par de brincos.
Diante do espelho que antes refletia juventude, me vi em meio a lágrimas de recordações.
Fiz uma procura constante entre canetas, lápis de cor, borrachas, papéis e cadernos sobre uma prateleira da estante.
Os meus lábios, que um dia tocaram na felicidade, deram um sorriso cabisbaixo ao ver o que procurava. Um lápis, um lápis de escrever com as bandeiras de vários países.
A vida... a vida por vezes parece engraçada ou nós é que a tornamos engraçada?!
O que eu fiz da minha vida ou o que ela fez de mim?? Estão aí indagações semelhantes e de respostas opostas.
Hoje me vejo no espelho. Me vejo no espelho a procura de uma parte de mim. Procurar por alguém. Alguém que eu deixei ir embora... ou se foi embora. Está dúvida abriga até hoje a minha alma.
Poderia eu, ter feito alguma coisa? Na situação presente eu não poderia fazer mais nada. Não poderia???
E ele? Na sinceridade de teus sentimentos poderia ter feito mais? Na situação vivida poderia ele, ter feito mais?
Destino! Você acredita em destino? Eu não acredito em destino! Mais talvez tenha sido o destino daquele dia...
As mãos, as minhas mesmas mãos, que um dia acariciou-lhe a face, pegou o achado. Mais devido o tremor da idade e a emoção daquele momento o lápis escapuliu.
 
 
Estava um tempo quente, esfriado pelas nuvens pesadas no céu a trafegar. E o cansaço já chegava da jornada quase encerrada do dia.
Rodeada pelas crianças me dirigi ao corredor a sentar. O piso resfriado, vermelho fez equilibrar a temperatura interior.
Pequeninos e sensíveis, ao lado, em pé e sentados. Atentos! Apertados, enroscados, amados, amando. O amor e a confiança entre nós era visto e revisto por todos que ali passavam ou ficavam. Entre afagos de carinhos, entre beijos e abracinhos uma exposição gostosinha começou.
Diferente, diversificada com espontaneidade e comodidade. Com discussão e opinião foi o tempo se consumindo.
Com deveres importantes ele caminhava com passos ligeiros, que seguido por alunos em ordem aleatória lhe faziam perguntas. Algo, alguém fez com que seus pensamentos parassem no tempo, naquele instante. Estagnado, começou a dar respostas inconscientes pelo sentimento congelado com o que via.
E lá estava eu! Lá estava eu, sentada no chão!
Vestido longo, tom rosa claro com manchas marrons. Mangas fofas, largas, livres. A sua fronte trazia arte em curvas azuis e brandas. Cobrindo-me as costas, um camisão preto, folgado e aberto.
Lá estava eu!
Seus olhos continham um brilho fosforescente...oculto...gostoso... A sua voz e o seu calçado chamou-me a atenção. Era o centro das atenções dos que os seguiam. O chefe, o líder e estava de chinelos!
Quis parar, só para admirar! Mais não poderia!
Os contornos dos teus lábios! Que fascinação! Que perfeita ajunção! Se pudesse toca-los...
Em nossos olhos o brilho! O brilho comum! Que reluzia o caminho, reluziam os movimentos. Os gestos, as falas, os sorrisos. Movimentos agora, nada comuns!
Sem curiosidade com um pouco de vontade ergui meus olhos a pegar o fim de seus passos.
Quem era ele? Quem era ele que deixou encanto por onde passou!?
E foi assim que aquele dia acabou.
O tempo pode passar, mais o tempo incógnito do olhar perdura a eternidade de um beijo.
Outro dia, outro momento alegre e satisfatório para os que ensinavam.
Aquele rumor no ar. Seus passos lentos, observadores, como se o tempo voltasse ao tempo.
E lá estava ele! A magia e o encanto em uma só pessoa! Como sua harmonia era bela! Tão bela que o seu coração se perdia em olhares despercebidos, mas despidos do meu olhar.
Aqueles segundos, aquele comportamento, a sua simples presença já me trazia felicidade.
Lá estava eu! Admirando e se ao menos pudesse tocá-lo...não faria nada em demasia.
Aquela pele chocolate, excitava, molhando-me de vontades. Deixava minha boca seca de seus lábios.
Fizemos a oportunidade e houve primeiro diálogo. Curto, mais fez com que cada palavra proferida se tornasse inesquecível.
Ele querendo o meu olhar e eu fugitiva do que poderá ser visto.
O tempo pode passar, mais o tempo incógnito do olhar perdura a eternidade de um beijo.
A cada dia o ambiente se tornava mais sedutor. Diálogos, diálogos, diálogos sobre o tudo e o nada. Simplesmente a intimidade se fazia em palavras.
Sorrisos comuns, olhares de afeto, até que das mãos dele para as minhas veio um pequeno papel amarelo com escritos em preto. Este por sua vez elogiava a minha boca; e eu estava sem batom, em lábios secos, molhados e brancos.
Teria ele captado o encanto que muitos olhares não haviam visto? Ou seria apenas um falsário elogio de conquista? Sem a minha resposta veio em forma de pergunta: Quer saber na prática ou na teoria?
Surpreso e alegre, surgiu um sorriso em sua face.
O dia se foi, dando origem a outro.
Em minha saída ao final da tarde, um de seus alunos apurados se aproximou, pedindo um lápis emprestado. Pois o professor não permitia realizar anotações relacionadas a música a caneta.
Sabia que o lápis preto não voltaria mais. Mas para quem foi; não precisa nem voltar.
O tempo pode passar, mais o tempo incógnito do olhar perdura a eternidade de um beijo.
Vieram outros bilhetinhos, ocultando a ânsia do desejo em códigos de desenhos. No qual revelava amor ingênuo na alegria da adolescência.
Bilhetes destinados a mim, por vezes eram entregues em mãos.
Ousados, espantosos, aceitos, deliciosos.
O tempo pode passar, mais o tempo incógnito do olhar perdura a eternidade de um beijo.
--- Tia, telefone! --- exclamou uma criança
--- Pra mim! Quem será? Não espero telefonema de ninguém!
Passos indecisos, pensativos. Pessoas vinham em minha mente, menos quem era realmente.
--- Alô!
--- Letícia?
--- Exato! Quem gostaria?
--- Você não adivinha!?
--- Ah, vamos conversar um pouquinho que eu adivinho.
--- É alguém que gosta de lhe fazer perguntas.
--- Ah, é você professor!?
--- É! Eu gostaria que você falasse para os meninos, que eu não vou dar aula hoje.
--- Ah, não! Então eu não vou ver a cor dos teus olhos hoje?
--- Eu não vou dar aula porque vou sair com você.
--- Uhhh! Gostei da idéia!
--- Aceitas?
--- E tem como recusar!?
--- Onde? E a que horas?
---No ponto final do ônibus! E que tal às dezenove!?
--- Ah, então eu vou dar aula! Pois termino por volta das dezenove. Então não fala nada para os meninos!
--- Está bem Gatinho! Um braço!
--- Outro!
A felicidade, aquela felicidade veio a tona transparecendo em sorrisos. Que de imediato como já efeito do futuro encontro, uma leveza veio em nossos movimentos e atitudes, em cidades diferentes, em quilômetros de distância.
Mais um dia chegou e lá veio ele pelo corredor a bailar aos meus olhos de amor. Ao passar pela minha porta, não me contive exclamando:
--- Oi Gatinho!!!
Feliz com o que ouvirá, voltou de costas para retribuir o meu cumprimento:
--- Oi! --- disse quase emudecido de emoção em meio a sorrisos e pensamentos que lhe diziam --- Será que encontrei alguém que pensa como eu!?
Eu tinha que sair, tinha que vê-lo, que ouvi-lo, que tocá-lo. O que estava acontecendo? Parece que encontrei alguém que pensa como eu!?
Conversas, sorrisos, satisfação, respeito e amor. Sempre refletidos em nossos olhares admiradores e observadores.
Os meus bilhetes, os dele e os meus se faziam presentes.
Em outro dia, surgiu o convite dele para um passeio que em meio a sorrisos foi aceitei. Deu dezessete horas e quinze minutos e ansiosa fui para casa, deixando-o a trabalhar.
Pratos, clarinete, trompete, contrabaixo, tamborim, trombone! Música!!!
Em meio a perguntas de minha mente cheguei em cassa.
O que fazer em pouco tempo? Como fazer? Tenho que fazer!!
Cremes, odores, batons, tons, lápis, brincos, colares e charme. Em segundos de minutos se fez o perfeito, a sedução, o afrodisíaco, o mistério, o belo, o anseio e o eterno.
Em véstia longa e fina sai na noite. Estava vampira e feiticeira em noite de estrelas que refletiam em nossos olhares.
A espera do ônibus e o seu percurso me causava tensão!
Ao descer do ônibus um pouco da minha tensão foi substituída pelo encantamento; pois lá ele, de pé, alegre, me esperando.
Que visão tive! Como era belo o seu sorriso! Como me trazia felicidade! Visão está que não é para qualquer olhar!
Cumprimentei em meio a justificativa pelo meu atraso.
Um ao lado do outro se deu início a uma caminhada de passos um pouco tensos. Caminhada sem rumo (rumo certo) e cheio de sorrisos, perguntas, respostas e elogios.
--- Foi como uma força! Algo entrou pelo meu corpo, subiu para a alma e fez a carne toda estremecer! --- sua boca proferiu o que sentiu ao me ver pela primeira vez, sentada no chão do corredor.
--- Tinha alguma coisa no seu olhar. Você sempre me olhava e eu evitava. O seu olhar era encantador. Era não! Ele é! Você deixava e trazia encanto por onde passasse e ficasse. Aquilo me chamou a atenção; pois você era diferente. Aquilo me encantou!!! --- disse suspirando.
A sinceridade presente em meio as palavras. Sinceridade vinda da pureza das crianças proporcionadoras da nossa união.
A um determinado momento, não havia mais tensões, somente gargalhadas e cumplicidade.
A encosta obscura de muro nos deu o assento e o prosseguir de nossa conversa, que continha afeição, segurança e doçura em cada palavra proferida.
--- Eu já te conheço um pouco! --- exclamou ele.
--- Como?
---Pela simples maneira de você ser! De você agir!
--- Como assim?
--- Eu sou um homem observador.
--- E o que você observou?
--- O seu sorriso é conquistador, derrubador. Os homens se perdem nele! Seu olhar é sedutor e misterioso! O simples ato de você sentar no chão mostrou simplicidade! E a maneira de falar com as crianças mostrou amor. Mostro que você tem muito amor!
Em silêncio, permaneci emudecida, pela a sua observação correta e certa de minha pessoa.
O tempo lentamente passava, quando começou a surgir indagações e tentativas de um beijo.
Ele veio e eu bloqueei. Bloqueei alegando que já que ele era um senhor feudal, então era eu quem deveria beija-lo.
E veio o beijo!!!
Indescritível! Inrresumível! O que foi aquilo? O que acontecia naquele momento?
Com certeza o mundo ao redor sumiu! Se acabou! Se perdeu em nossas respirações ofegantes!
E foi o beijo! Aquele beijo! Fora concretizado o enlace de nossos sentimentos!
Afeição, afeição! O afeto gerou a ajunção de nossas almas em um sentimento sublime (o amor).
Este beijo me fez sentir, o que ele sentiu quando me viu pela primeira vez.
O tempo pode passar, mais o tempo incógnito do olhar perdura a eternidade de um beijo.
À noite acabou e chegou mais um dia de trabalho e lá estávamos nós. Radiantes, brilhantes, amantes. O sorriso de um era o reflexo do sorriso do outro.
Sabendo de sua presença tão perto de mim, não me contive ficando mais fora da sala do que dentro.
As crianças o rodeava facilitando a minha aproximação sem suspeita.
Um único beijo me fez sorrir por três dias seguidos.
O seu sorriso brilhava mais que o Sol, que envergonhado se escondia atrás das nuvens.
Nas lembranças doce daquele beijo, veio o convite dele para um lugar mais íntimo, reservado, quente, confortável e aconchegante. Seguindo a mesmo pensamento teve o meu aceito.
Tudo se repetia mais não trazia monotonia e sim beleza, pureza e amor.
Ao caminho do encontro com intenções pecaminosas, comprei um doce de pêssegos em calda e um abridor de latas.
Ao chegar ao encontro de seu olhar embriagante, começamos a andar em direção determinada por ele, que aproveitando a oportunidade, retirou do bolso um lápis que continha estampas de bandeiras de vários países e disse:
--- Aqui está um lápis, para pagar o que o meu aluno, pediu-lhe emprestado um dia desses.
Peguei o lápis com muita ternura e coloquei dentro da bolsa. Aquele simples objeto era prova da existência daquele amor, daquele momento; o qual o guardaria para sempre.
Ao chegar em nosso destino, já com a chave na mão, realiza-se o destrancar da porta, o entrar, o fechar e o trancar.
Atirados sobre uma grande cama, inicia-se mais conversas, beijos, abraços, afagos.
No toque frágil de seus lábios, quentes e úmidos; minhas mãos leves em fulgor, deslizam por sobre a sua calça.
O cheiro da música ouvida através das sensações da pele e o feitici que sempre me acompanhou pararam por segundos. Pararam para se fazer ouvir o soar do abrir do seu zíper.
Tendo ele sobre o meu domínio, beijei o pescoço, as orelhas (invadindo-as), as sobrancelhas, os olhos, a face e os lábios.
O pescoço, mamilos, umbigo, mamilos. De frente para o seu sexo coberto por um tecido de seda, beijei e lambi com a respiração ofegante e quente.
Não tendo domínio sobre a situação, ele me pegou beijando-me suavemente. Seguidamente pediu para tomar um banho rápido. O meu sorriso lhe deu o consentimento acompanhado de uma indagação:
--- Adivinha o que eu trouxe para nós comermos?
Pensativo ele foi e voltou do banho. Enrolado em toalha branca, teus olhos refletiam o desejo de um beijo meu. Preparado para todos os prazeres, deitou desnudo sobre o cinza do lençol deixando a toalha ao chão.
--- Adivinha o que eu trouxe para nós comermos? --- repeti mostrando o abridor.
Sem fala devido a emoção e ânsia, deixou que seus olhos me pedissem a resposta.
Satisfeita pela compra, retirei da bolsa a lata de doce.
--- Eu adoro doce de pêssego em caldas --- disse abrindo a lata --- Já pensou o que um doce pode fazer!?
Em minha insinuação, veio a imaginação e satisfação por meio de um sorriso em sua face.
Retirei a minha blusa de frio marrom, seguida do blusão preto; no qual veio acompanhada por uma mini-blusa de mesma tonalidade.
Com ansiedade em nossos olhos, peguei um pêssego enchendo-o com calda. Deixei que a calda caísse por sobre o seu pescoço e lábios. Em seguida mordi um pedaço do pêssego e ele outro. Mordemos, mastigamos e comemos em comunhão.
Aos beijos, em teus sempre doces lábios, fui tirando em lamúrias de desejos, a calda por sobre a sua pele.
Novamente com outra concha cheia, deixei que a calda pinga-se em seus mamilos, no umbigo, na barriga. Havia calda por todo o tronco umedecido, nas coxas internas e em seu sexo.
Ao chegar em seus mamilos os mordisquei e chupei. Momento este que o levou ao deslumbramento.
--- Não existe forma mais gostosa de se comer doce! --- afirmando.
Odor embriagante, calda estimulante, toques e suspiros arfantes.
Sua barriga firme, desejosa. Na profundeza de seu umbigo, minha língua penetrou constantemente retirando a calda.
Observando que a calda já se encostava por todo o colchão, retirei a saia que era da cor da sua pele.
Estávamos escorregadios, doces, levemente amarelados. Gostosos!
A umidade da minha língua, tocou em suas coxas internas, o fazendo contorcer em desejos.
Das coxas lambidas fui ao escroto. Lambendo, chupando, suguei um por um dos testículos para dentro de minha boca. Puxava os cabelinhos ali existentes, mordendo no meu próprio êxtase.
Preparada para o final do início, toquei na abertura de sua glande; com sede e vontade de engolir, de devorar. O meu comportamento, se igualava ao de um animal selvagem, diante da presa, diante da carne. Onde a saliva fria pingava por sobre a sua rigidez.
Sendo este animal, deixei que o membro penetrasse em minha boca. Ele entrava e saia, saia e entrava. Lambia de ponta a cabeça. Chupava, chupava! Chupava no instinto de sentir e ter posse do odor de meu alimento. Sugava com voracidade em companhia da língua que deslizava. Ela rodava e rodopiava como os cabelos de nossa nudez.
Na ausência da calda, o encharcava novamente e o astro brilhava para um novo recomeço. De lambida, a lambida subia, descia, inclinava, curvava, contorcia. Contorcíamos em doces satisfações.
--- Agora é a minha vez de comer doce! --- disse ele em contorções se levantando e me dominando por sobre o colchão.
--- Ah, me dá um beijo! --- sussurrei
Após o meu pedido só se teve notícias de beijos e calda nos lábios, pescoço, seios, barriga, umbigo.
Em meus pensamentos não sabia que o prazer estava tão perto!
Com uma boca gostosa, ele foi em meu pescoço chupando-o. Fricção veio aos seios, ao bico dos seios. Lambendo, chupando, sugando e mordiscando.
Sua língua tão dura quanto o seu membro, começou a retirar a calda de minha pele. Metia em meu umbigo e tirava, metia e tirava... Seus movimentos contínuos, incessantes, insinuantes entorpecia o clima o qual nos deixava com a pele resfriada.
Suas mãos fortes, foram ao encontro de minhas coxas abrindo-as animalmente com força!
Nesse momento, me perdia em prazer!
De posse do doce, ele fez brilhar os pelos pubianos ao contraste da calda. E para a nossa tortura, esfregou um doce na abertura de minha vulva friccionando-o. Estava frio, mais ao toque, queimava em ardência. Seguido de um mergulho profundo, devorou com a mesma intensidade de sua língua rígida o doce que estava entre os meus lábios sexuais.
Ele se perdia em meu sumo!
Após ter comido todo o doce ele me abraçou em beijos.
Insaciável, a calda nos dedos os transformaram em línguas forazes que foram introduzidos em minha vulva nos excitando.
Em meio a peles sedentas ouve-se a ajunção!
---Me dá um beijo! --- sussurrei novamente.
Olhos lubrificados, pele doce, intenção explicita, escuta-se um gemido arfante.
A pele dele sobre a minha pele.
A minha pele sentada na pele dele.
A minha pele de costas para a pele dele. Furico preenchido!
Ele agora era o animal selvagem, beijando a fêmea em coito! Estava domado ou me domava com toda a sua força bruta!
Exaustos, mergulhamos no doce suor, da água morna corrente do chuveiro.
Beijos e a minha pele em pé de costas para a pele dele!
---Me dá um beijo!
Beijos molhados, suados, lambidos, metidos! Explosão, vulva cheia!
Abaixei-me e bebi as últimas gotas de seu êxtase.
---Você quer me matar? --- ele perguntou mergulhado de realização.
Apertos, desejos, espasmos! Olhos fechados!
O tempo pode passar, mais o tempo incógnito do olhar perdura a eternidade de um beijo.
Com o passar do tempo, vieram outros bilhetes dele, meu, dele... E outros encontros ao vinho, a velas, a lenços e a lá imaginação; no qual ficaram na lembrança do coração.
Nunca nos faltou respeito, consideração e afeição. E apesar dos pesares, nunca, mais nunca o amor nos faltou.
Por minha escolha, um dos encontros (o último) se daria na rodoviária; pois precisávamos conversar.
Do trabalho ele pegou o ônibus. E de casa também peguei coincidentemente ou não o mesmo ônibus.
Ao passar pela borboleta, meus olhos brilharam ao vê-lo. Sem ser vista, aproximei e em meio a um frio na barriga eufórico proferi:
---Cuidado com o destino; pois ele pode ser perigoso!
Sorridente ele ergueu os olhos admiradores.
Agora juntos, seguíamos, envoltos por músicas cantadas por jovens a bordo.
A beira de uma calçada, longe de luzes fortes, sentamos e nos olhamos.
Conversas, conversas! Revelações, sentimentos, afeições, paixões! O amor a flor da pele!
Eu o elogiava em ternuras. Elogiava o seu sorriso, o seu olhar; enfim todo o conjunto de sua beleza total.
Ele por sua vez, dizia que a minha beleza era incomparável a dele.
Eu estava com o peito cheio e declarei o meu amor em palavras. Amor que antes era só demonstrado.
A angústia se apresentava; pois não tinha como eu amar um homem intocável. Pois o tamanho do seu amor por mim era refletido no tamanho da aliança dourada em sua mão esquerda.
Medo e muita angústia de um futuro inexistente. O que fazer? Romper?
A ansiedade, veio aos meus olhos avermelhados e úmidos, querendo um beijo sem poder. Amando e tendo que romper!
Com o meu amor em demasia, talvez fosse... o melhor caminho.
Olhares dolorosos, lábios quentes e secos! As mãos postas que não podem se tocar! O adeus!
Ele ao ônibus entrou e eu no chão fiquei.
Os olhares agora, distantes, rasgantes, lacrimejantes.
Teria sido... realmente o melhor caminho???
O seu nome em meu coração ainda quer dizer o desejado, o amado... o sonhado! Não posso nunca dizer, que um dia não te encontrei! Pois te encontrei e te amei!
 
 
O lápis em um estalar tocou o chão; seguido pelo vestido rosa claro com manchas marrons...
“Não sei o que você vai fazer
Para esquecer de mim, de mim
Tirar da cabeça uma história
De amor grande assim, assim
Para de frente ao espelho e vê
A sombra de mim em você
Compra revistas mais não lê
Por que não consegue esquecer, de mim
Eu amo você demais
Pra me ver no cinema sem você
Eu amo você demais
Pra me ver numa festa sem você
Por ai sem você, amor não sei viver
Por ai sem você, amor não sei viver.”
 
 
 
Letícia Luccheze.